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Apotheus “The Far Star”

Se os acontecimentos do miniconto ocorridos no ano 6538 UTS significaram uma nova era, “The Far Star”, do nosso ano de 2019, garante a realidade de que os Apotheus fazem parte da evolução do metal nacional.

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Editora: Black Lion Records
Data de lançamento: 31.10.2019
Género: melodeath / prog metal
Nota: 4/5

Com uma narrativa que se detalha em miniconto, “The Far Star” espelha parte da nossa realidade civilizacional e espreita um futuro medonho cada vez mais próximo – os filmes de ficção-científica distópica e fatalista que conhecemos, e que agora têm mais de 30 anos, nunca fizeram tanto sentido.

Neste segundo longa-duração da banda portuguesa, a energia esgotou-se e os poucos recursos são engolidos pela minoritária classe abastada em relação aos milhões de aflitos, pobres, analfabetos e esquecidos nos escombros de uma sociedade desigual. A única hipótese é ir à procura de uma nova vida fora daquele planeta.

Mas será que os Apotheus conseguiram transportar esta ideia para o universo musical? Um sim redondo é a resposta fácil. Executantes de uma mescla de subgéneros do metal que se alimentam sempre de uma gamela melódica, o grupo de Paços de Ferreira aborda o lado do melodic metal moderno em temas como “Cave Of Steel” em que podemos lembrar-nos de uns Evergrey, lança-se ao melodeath metal na portentosa “Redshift”, recorda Pink Floyd no início de “Under a New Cloudy Sky” e nunca fecha os olhos a rotas mapeadas em prog metal como na mágica “A New Beginning”.

Fugindo de um plano mais particular, como o delineado atrás, a generalidade de “The Far Star” demonstra a enormíssima habilidade de quatro músicos que jogam em equipa, porque sabem que esta estrela distante que é a indústria musical é feroz e a desunião não faz a força. Compactos nuns momentos e soltos noutros, os Apotheus regem-se pela vontade de fazer metal moderno e sem muros, como é representado, por exemplo, na faixa “Resolve to Remake” em que os breaks, que só não são djent porque a distorção não nos leva aí, contrastam com os arranjos sonoros espaciais. E isso é, de facto, uma das ferramentas mais bonitas e inteligentes deste disco, havendo toda uma atmosfera espacial que nos faz imaginar naves a copular ou cockpits vazios iluminados por LEDs solitários, originando nas nossas cabeças os ambientes populares de filmes como “2001: A Space Odyssey” (Kubrick) ou “Interstellar” (Nolan).

Mesmo que o mote continue a ser de união, a versatilidade vocal de Miguel Andrade não passa despercebida – e entre o growl e a voz limpa, é a segunda que, surpreendentemente, ganha. Ainda que o berro seja poderoso, é o seu trabalho limpo e melodioso que mais capta a atenção e faz-nos crer que estamos perante um vocalista com muita qualidade. Por outro lado, e mesmo que a produção esteja muito acima do que muitas vezes se faz em Portugal, não podemos deixar de imaginar como soaria este “The Far Star” se fosse tratado num estúdio além-fronteiras e de topo, especialmente no que diz respeito ao corpo das guitarras que se quer um pouco mais denso e robusto do que aquilo que nos é oferecido.

Se os acontecimentos do miniconto ocorridos no ano 6538 UTS significaram uma nova era, “The Far Star”, do nosso ano de 2019, garante a realidade de que os Apotheus fazem parte da evolução do metal nacional.

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