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Angra “Holy Land”: Novo Mundo à vista

Numa altura em que o grunge já estava em declínio e o nu-metal começava a dar ar de si, o Brasil era um dos países que claramente emproava a bandeira do metal. De um lado os Sepultura davam início à experimentação com “Roots”, do outro os Angra elevam o power metal a outro nível. Corria o ano de 1996.

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«Musicalmente, a banda era fenomenal, no auge da criatividade.»

Rafael Bittencourt

Numa altura em que o grunge já estava em declínio e o nu-metal começava a dar ar de si, o Brasil era um dos países que claramente emproava a bandeira do metal. De um lado os Sepultura davam início à experimentação com “Roots”, do outro os Angra elevam o power metal a outro nível. Corria o ano de 1996.

Lançado em Março de 1996, “Holy Land” é o segundo álbum de Angra, sucedendo a “Angels Cry” (1993). Com uma formação composta por André Matos (voz), Kiko Loureiro e Rafael Bittencourt (guitarras), Luís Mariutti (baixo) e Ricardo Confessori (bateria), os paulistas inovaram e deram toda uma nova roupagem ao power metal com este “Holy Land”, um álbum que uniu a fabulosa voz de Matos, a distorção das guitarras, arranjos clássicos e muitos elementos folclóricos da cultura brasileira. Como Sepultura, ainda que em subgéneros muito distintos, os Angra estavam na linha da frente no que dizia respeito a reunir-se no seu metal as raízes culturais do seu país, dos índios à bossa nova e ao samba moderno – algo que, dizemos com certeza, ninguém no universo metal estava a fazer com tanta preponderância fossem quais fossem as origens.

Com um conceito centrado algures entre finais do Séc. XV e início do Séc. XVI, altura em que os portugueses chegavam à Terra de Vera Cruz em 1500, Rafael Bittencourt disse à UOL que «a ideia sempre foi mostrar a cultura brasileira». E continua: «No segundo disco estávamos mais confiantes. Quando íamos para fora do Brasil, eu e o Kiko tocávamos bossa nova e todos achavam impressionante. Era um diferencial.» André Matos completa: «A gente se identificou muito com o tema da América Pré-Colombiana. Além da pesquisa histórica, fomos atrás de materiais que estavam disponíveis de gravações originais, ritmos e melodias regionais do Brasil. O resultado final é tão compacto, tão bem arrumado, que resultou no melhor disco do Angra.»

“Holy Land” é uma descoberta à medida que salta de faixa em faixa. Ao longo de quase 60 minutos, tantos estamos na Europa, com os arranjos clássicos, como de repente já estamos no meio das florestas sul-americanas, com os tão famosos, genuínos e únicos batuques ritmados que só o Brasil concebe.

«Musicalmente, a banda era fenomenal, no auge da criatividade», diz Rafael. É verdade. “Holy Land” é uma obra-prima do metal melódico que inspirou nomes que se tornaram grandes, como Tobias Sammet (Edguy, Avantasia), e será sempre a maior recordação que teremos de André Matos, falecido em 2019 vítima de problemas cardíacos.

Depois de “Fireworks” (1998), a banda entrou em colapso. De um lado ficou Rafael Bittencourt e Kiko Loureiro, do outro estava André Matos, Luis Mariutti e Ricardo Confessori. Este trio formaria Shaman.

Com Edu Falaschi na voz, Felipe Andreoli no baixo e Aquiles Priester na bateria, Rafael e Kiko não tinham vontade de abrandar e em 2001 lançavam o adequado título “Rebirth”. Com mais algumas mudanças na formação, nomeadamente o novo vocalista Fabio Lione (Rhapsody of Fire) a substituir Edu Falaschi em 2012, os Angra continuaram a lançar álbuns e a serem um reduto importante do power metal mundial.

Em 2015, Kiko Loureiro deixou a banda para ingressar em Megadeth, o que, inicialmente, Rafael achou ser de curto-prazo: «Acho que a estadia dele em Megadeth provavelmente é temporária, porque os guitarristas duram pouco, por conta da personalidade do Dave Mustaine, então não acho que o Kiko vá ficar tanto tempo lá», disse. Enganou-se, pelo menos até hoje.

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