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Ancient VVisdom “Mundus”

Como se os Hexvessel dessem de caras com Danzig e o convidassem para assistir a um ensaio de Woods Of Ypres. Sem o brilhantismo dos primeiros, o carisma do segundo e a aura negra dos últimos. Mas algures a caminho do cruzamento de todos.

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Editora: Argonauta Records
Data de lançamento: 27.09.2019
Género: doom rock
Nota: 3.5/5

Os norte-americanos Ancient VVisdom sempre se viram – e tentaram estar – um pouco à margem da onda doom que varre a cena metálica de há uns anos para cá. Mas tentar estar e estar de facto são duas coisas diferentes e a verdade é que o trio em pouco se destacou com os dois álbuns anteriores (“Sacrificial” de 2014 e “33” de 2017), aproveitando-se um punhado de canções que têm como mais-valia o cuidado na composição e uma estética sonora que não privilegia o peso e a distorção, servindo-se deles para encorpar a melodia.

“Mundus” não é radicalmente diferente mas nota-se que os Ancient VVisdom estão diferentes. “Human Extinction” abre o álbum com risco, peso e um riff death-rock como o trio nunca tinha tido. Um lado pesado que, embora nunca renegue a melodia gingona e aquele pé a bater do rock, serve para esticar um pouco o alcance sónico dos Ancient VVisdom e lhe dá a dimensão que lhes faltava anteriormente. Ao longo dos quase 30 minutos que se seguem, o grupo repete poucas vezes a intensidade com que abre “Mundus”, mas reencontra o lado semiacústico, quase folk, do seu fundo de catálogo (“Plague The Night”) e pisca o olho a um certo ambiente gótico que, até aqui, apenas tinha rondado os seus discos (“Desensitized”).

Com isto tudo, os Ancient VVisdom tinham tudo para se espalharem ao comprido na variedade e ambição que metem para dentro de “Mundus”, mas não o fazem. Com a formalidade, o cuidado na composição e a voz quase pastoral de Nathan Opposition, os texanos conseguem criar uma linha condutora ao longo daquilo que, de outra forma, seria um cemitério de canções quase perfeitas, e de alguma forma safam o disco. Aliás, mais do que safar. Criam em “Mundus” uma espécie de história contada do mundo, a morrer num canto enquanto canta os seus males, ora furioso, ora melancólico, ora em tom auto-reflectivo. Como se os Hexvessel dessem de caras com Danzig e o convidassem para assistir a um ensaio de Woods Of Ypres. Sem o brilhantismo dos primeiros, o carisma do segundo e a aura negra dos últimos. Mas algures a caminho do cruzamento de todos.

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