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Amorphis “Tales from the Thousand Lakes”: epopeia finlandesa

Na ressaca de álbuns altamente importantes para a evolução do death metal melódico, como “The Red in the Sky Is Ours” (1992), dos At The Gates, os Amorphis lançavam, em 1994, um dos álbuns que elevou o death metal melódico a paisagens progressivas e folclóricas.

Numa ode à Finlândia e com um título extremamente adequado, “Tales from the Thousand Lakes” é o segundo álbum dos Amorphis e o seguimento lógico do debutante “The Karelian Isthmus” (1992), com uma maior incidência na epopeia finlandesa, a Kalevala.

Muitos anos antes de o carismático Tomi Joutsen se ocupar das vozes de Amorphis, era o líder, mentor e guitarrista Tomi Koivusaari quem sobressaia numa formação muito jovem e embebida em criatividade nata, como o baixista Esa Holopainen contou à extinta Ultraje (2015-2019): «Nos anos 1990 estávamos a descobrir tudo, era tudo novo para nós. Andar em digressão era uma novidade e misturar diferentes géneros musicais e ideias também – fizemos muitas experiências. Havia sempre muita festa. [risos] Agora também há, mas não tanto. Não nos embebedamos, somos músicos mais profissionais e determinados. É complicado estar sempre em festa e estar numa banda, porque tende a ser difícil para o corpo e para o espírito. Foi muito divertido fazer tudo pela primeira vez nos anos 1990, mas no final dessa década já não era assim tão engraçado. [risos] A realidade confrontou-nos. Não tínhamos agenciamento apropriado e a situação financeira era muito má para a banda. Foi complicado manter a criatividade nessa situação e a música sofreu por causa disso. Foi por isso que saí da banda [em 2000, regressando em 2017], porque era a única coisa que nos restava: a música. Não ganhávamos muito dinheiro. Agora é tudo diferente, agora temos tudo, como agenciamento e promotores. Já nos podemos concentrar a tocar e a compor, já podemos fazer experiências outra vez e isso é crucial.»

Épico do princípio ao fim, “Tales from the Thousand Lakes” é, décadas depois, um dos álbuns que revolucionou o metal com a sua temática lendária e mística, ainda que para a posteridade fique com mais afirmação a imaginação criativa que nos deu músicas como “The Castaway”, “First Doom”, “Black Winter Day” ou “Drowned Maid”, quatro composições que muito bem exemplificam a mistura entre death metal, doom metal, progressivo e folclore.

Na viragem do século, a banda acabaria por decidir entrar por caminhos sonoros relacionados ao heavy metal melódico, ao rock alternativo e até a algum gótico, mas, tantos anos depois, os Amorphis lançariam, em 2018, o fabuloso “Queen Of Time”, visto pela imprensa, pelos fãs e pela Nuclear Blast como o digno sucessor de “Tales from the Thousand Lakes”. Esa Holopainen explica por fim: «Diria que a única pressão para se voltar às raízes [com “Queen Of Time”] veio do Jens Bogren [produtor], que é um fã do death metal da velha-guarda. Não é que nós não sejamos, porque somos, mas ele preferiu o material old-school com que surgimos. Das 16 faixas, ele escolheu 11. Não estamos a tentar fazer mudanças intencionais na nossa música, apenas compomos o que gostamos de tocar. Seria difícil e estranho tentar voltar às raízes intencionalmente ou tentar recriar algo que fizemos na adolescência; na altura estávamos a descobrir coisas novas e foi por isso que fizemos esse álbum como ele é – combinámos death metal e Pink Floyd. [risos] Há muito mais depois disso, portanto seria difícil aparecer com o mesmo entusiasmo.»

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