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Alter Bridge “Walk The Sky”

Em “Walk The Sky”, os Alter Bridge levam-nos por uma viagem sonora profunda de reflexão e introspecção.

Editora: Napalm Records
Data de lançamento: 18.10.2019
Género: alternative metal / rock
Nota: 4/5

Em “Walk The Sky”, os Alter Bridge levam-nos por uma viagem sonora profunda de reflexão e introspecção. O grupo de Myles Kennedy e Mark Tremonti tem vindo a demonstrar, álbum após álbum, um certo amadurecimento que se torna bastante perceptível nas suas composições, tanto a nível instrumental como em termos líricos.

Neste sexto trabalho de estúdio, a banda apresenta um disco extenso – ao todo são 14 músicas –, mas afasta-se das faixas longas que se tornaram características na discografia. Por outro lado, o que sobressai mais neste trabalho é a qualidade dos quatro músicos enquanto intérpretes, e naturalmente o destaque tem que ir para Myles Kennedy que do alto dos seus 49 anos continua com uma agilidade na voz, dando a entender que o processo de envelhecimento do vocalista é equiparado ao de um vinho. Se Myles é exímio nos vocais, o que dizer de Mark Tremonti na guitarra-solo? Aquela máquina de riffs, o seu estilo único de tocar é facilmente identificado auditivamente ao combinar shred com feeling. Já Brian Marshall no baixo e Scott Phillips na bateria seguram o ritmo como ninguém, e são eles quem dão uma dimensão mais groovy à música dos Alter Bridge.

Se há algo pelo qual os Alter Bridge são reconhecidos e apreciados dentro do género, é pela sua capacidade de combinar a agressividade das sonoridades mais pesadas com melodia. “Walk The Sky” manteve o mesmo mote. “One Life”, que dá o pontapé-de-saída no álbum, é uma faixa introdutória que estabelece uma espécie de temperamento para todo o disco, com a letra a abordar a questão existencialista aliada a uma ideia da procura do ‘eu’ e de um novo sentido de vida, como refere Myles nos versos «living with open eyes I discover a new storyline».

O primeiro single apresentado pela banda foi a malha “Wouldn’t You Rather”, que começa logo com um riff bem pesadinho e que vai buscar alguns aspectos tanto ao djent como ao groove metal. Em termos líricos, aborda a temática da corrupção no mundo contemporâneo e daqueles que se vendem a qualquer custo para alcançar o poder, como referem os versos «sell yourself short and buy a world of pain». Por outro lado, demonstra também que os valores da ética e da pureza não fazem mais parte do cardápio social – «wouldn’t you rather live from the heart» é o que Myles entoa no refrão.

Em “GodSpeed”, a banda aborda uma sonoridade um pouco diferente, mais perto até do universo da música pop, muito por culpa da introdução de keyboards. A letra é dedicada a Seth, um amigo de longa data de Mark Tremonti que faleceu recentemente. Já “Native Son” é uma das faixas mais interessantes do álbum, apresentando-se com um motivo inicial meio orientalista que vai desembocar no riff de guitarra monstruoso. Myles reflecte mais uma vez sobre as diversas problemáticas em torno do mundo, como é o caso dos conflitos bélicos ou da xenofobia, demonstrando de certa forma a sua aversão para com a postura da natureza humana, como se encontra representado nos versos «now I’m a native son in a foreign land and I’m just living in a world I can’t understand».

“Pay No Mind” traz-nos o segundo single do álbum, e voltamos a ouvir sintetizadores na introdução que acompanha o crescendo da música. A letra explora a existência de uma sociedade alienada e que se encontra manipulada pelos órgãos do poder, e que só com o passar do tempo permitirá uma mudança de paradigma, como referem os versos «but time it will unravel and expose us for the fools we are, we pay no mind, we pay no mind at all, we must be blind». “Forever Falling” é talvez a música mais pesada do álbum, e traz-nos um Mark Tremonti nos vocais principais, algo que não é estranho no universo dos Alter Bridge – vejamos o caso de “ Waters Rising” –, mas também lembrando o seu projecto paralelo onde é ele o vocalista principal. Nesta faixa, Tremonti canta então os versos, e no refrão divide harmonias com Myles, dando à música uma dimensão sinestésica de provocar arrepios a qualquer melómano.

O álbum termina de uma forma apoteótica com “Dying Light”. Neste tema é-nos apresentado mais uma vez a imagem de marca dos Alter Bridge com a sua sonoridade épica, um profundo equilíbrio entre agressividade e melodia, e com emoções transmitidas na voz de Myles Kennedy que, aliado ao feeling que Mark Tremonti transpõe para os seus solos, tornam esta música uma verdadeira obra-prima. A letra da música apresenta-se como uma metáfora – neste caso é estabelecida uma analogia entre a ideia de uma luz que se está a apagar e uma esperança/crença no futuro da humanidade que se encontra a desvanecer.

Chegando ao fim desta caminhada no céu, existe um certo sentimento de satisfação pelo facto de os Alter Bridge serem uma das bandas que mais apresentam inovações dentro do espectro da música pesada, e este “Walk The Sky” é mais uma prova disso.

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