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Akando: sob o signo dos totens

Das vastas pradarias alemãs chegam os Akando, uma banda particularmente inovadora por tratar de tudo o que esteja relacionado com a história dos povos nativos americanos.

Origem: Alemanha
Género: melodic death/power metal
Último lançamento: “Attack From Ambush” (2019)
Editora: Boersma Records
Links: Facebook
Entrevista e review: João Correia

Das vastas pradarias alemãs chegam os Akando, uma banda particularmente inovadora por tratar de tudo o que esteja relacionado com a história dos povos nativos americanos.

«O foco dos Akando centra-se no metal e não na música folclórica.»

Unicidade: «Surpreendentemente, nenhum de nós tem descendência americana. No cenário mundial do metal, existem imensas bandas que falam das tradições e rituais de culturas estrangeiras e os colocam em cena. Logo, por que não deveríamos fazê-lo? A nossa nacionalidade é completamente irrelevante para nós. A música é uma forma de arte e apenas fazemos o que fazemos como artistas. Claro que levamos esse assunto muito a sério e acho que isso é visível nas nossas músicas. Pessoalmente, gosto muito da cultura nativo-americana e ela acompanhou-me a vida toda. Caso contrário, nem teria criado este projecto. Quando era criança, fiquei muito fascinado com histórias e filmes nativo-americanos. No entanto, quando passei a adolescente, visitei uma reserva pela primeira vez e entrei em contacto com verdadeiros nativo-americanos. Foi uma experiência dramática para mim e moldou-me até à actualidade. Percebi que não havia mais nada no romance índio-americano. Desde então, comecei a trabalhar mais intensamente com as suas culturas e história e, finalmente, inspirou-me a escrever letras para os Akando. No mundo nativo-americano, existe muito acerca de respeito, desenvolvimento livre e união. Todos esses valores estão cada vez mais perdidos no mundo de hoje. Mantemos esses valores elevados na nossa banda e assim é a cena metal em todo o mundo. Não preciso de ser nativo-americano para defender a sua posição na sociedade. Eles foram privados da sua terra natal. Os Akando abordam esta questão para que não seja esquecida e para apelar a uma maior atenção à cultura dos povos indígenas.»

Musicalidade: «Além da percussão xamânica, também é possível ouvir flautas, instrumentos de corda, chocalhos, sons de armas, sons da natureza e de animais, cantos e partes vocais em diferentes idiomas nativo-americanos. Na minha opinião, isso abrange uma ampla variedade de elementos nativo-americanos. No entanto, um dos meus principais objectivos era encontrar o equilíbrio certo entre o Metal e a música nativa americana. O foco dos Akando centra-se no Metal e não na música folclórica. Não quis sobrecarregar as músicas com esses elementos nativo-americanos porque acho que pode aborrecer facilmente. Assim, utilizei-os apenas em segmentos específicos de músicas onde eu achei que se encaixariam realmente bem.»

Apropriação: «O álbum “Attack From Ambush” é uma emboscada musical contra a opressão da população indígena americana. No decorrer do disco, as letras falam sobre vários assuntos das “Tribos Nativas”. Além da supressão de grupos étnicos, também falamos de eventos históricos (como guerras e batalhas). Fora disso, as letras falam sobre lendas e mitos, bem como virtudes ou valores dos nativos americanos. Para colocar todos esses assuntos nas letras das músicas, são aplicadas muitas frases metafóricas e elementos nativos básicos (como tipi, búfalo ou grande espírito).»

Review: O som dos Akando é difícil de catalogar devido a tanta complexidade introduzida pelos seus membros, nomeadamente de instrumentos musicais e idiomas nativo-americanos, mas, se quisermos simplificar, podemos situá-los entre o death e o power metal, dois géneros já por si distantes. A fórmula funciona e sente-se que é algo já feito, mas renovado devido às tais componentes introduzidas pelos alemães. “Attack From Ambush” é um esforço colectivo que resulta pela sua honestidade e frescura temática, algo quase nada explorado no panorama do heavy metal a nível global. Cânticos tribais, tambores de guerra e toda a cultura indígena Americana andam de mãos dadas com bastante peso num disco claramente metálico que poderá abrir portas a algo mais no futuro. Despretensioso e, ainda assim, interessante.

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