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Daniel Droste (Ahab): «”The Call of the Wretched Sea” é o nosso álbum mais importante»

Senhores dos mares, os germânicos do rotulado nautik funeral doom Ahab – nome do capitão na celebrada obra literária “Moby Dick” (1851) de Herman Melville – surpreendem ao incluir um álbum ao vivo, intitulado “Live Prey”, numa discografia composta por quatro LPs de originais entre 2006 e 2015.

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Senhores dos mares, os germânicos do rotulado nautik funeral doom Ahab – nome do capitão na celebrada obra literária “Moby Dick” (1851) de Herman Melville – surpreendem ao incluir um álbum ao vivo, intitulado “Live Prey”, numa discografia composta por quatro LPs de originais entre 2006 e 2015.

Na verdade, até Daniel Droste (voz, guitarras) ficou algo surpreendido com o desfecho desta ideia, conforme contou à Metal Hammer Portugal. «Nunca planeámos lançar um álbum ao vivo. Quando fomos convidados para o Deaf Row Fest, em Jena, em 2017, o organizador pediu-nos que fizéssemos algo especial. Também tocámos um set especial no Roadburn Festival desse ano, consistindo apenas em músicas de “The Call of the Wretched Sea”, portanto era óbvio tocarmos esse alinhamento novamente. Depois do concerto no Deaf Row, descobrimos que o engenheiro de som que fez a mistura gravou o concerto. Penso que foi no ano passado que um dos nossos amigos, que também dirige a editora Low Fidelity Assaults, teve a ideia de lançar o concerto de Jena como bootleg oficial em cassete. Mas quando a Napalm Records ouviu as gravações, eles ficaram tão empolgados que quiseram lançá-lo em LP e CD. Além disso, recentemente comemorámos o nosso 15º aniversário, portanto pareceu-nos bem lançar este disco neste momento.»

Como adiantado na resposta anterior, “Live Prey” é composto por músicas originalmente presentes no álbum debutante “The Call of the Wretched Sea”, de 2006. Mais de uma década após o seu lançamento, o músico alemão fala da importância desse trabalho: «A nossa música desenvolveu-se muito ao longo dos anos, mas diria que “The Call of the Wretched Sea” é o nosso álbum mais importante. O feedback que recebemos foi esmagador na altura e esse álbum abriu-nos muitas portas. Ainda recebemos mensagens a dizer que este álbum foi primeiro contacto com doom metal extremo, o que é um excelente elogio. Não ouço as músicas em casa, mas gosto muito de tocá-las. Há algumas coisas que mudaria na produção desse álbum – os músicos nunca ficam 100% satisfeitos com o seu trabalho, acho eu… Mas ainda adoro o clima dessas músicas, e transmitir essa energia ao vivo também foi um argumento interessante para lançar “Live Prey”.»

«Recentemente comemorámos o nosso 15º aniversário, portanto pareceu-nos bem lançar este disco neste momento.»

Daniel Droste sobre o álbum ao vivo “Live Prey”

Passando-se para o assunto das composições inéditas num passado recente mas com vista num futuro que se avizinha, o último álbum de Ahab intitula-se “The Boats of the Glen Carrig” e foi lançado em 2015 – há cinco anos, portanto. Nunca esperámos tanto tempo por um novo disco da banda, por isso fomos à descoberta do que se passa no estaleiro de Ahab – como uma viagem pelo profundo e, por vezes, furioso Atlântico, nem tudo é navegado ao sabor das boas correntes. «Nos últimos cinco anos, quase todos nós tivemos filhos – claro que isso atrasou-nos como banda. Nunca conseguimos ensaiar uma vez por semana como as outras bandas. Apenas o Stephan e eu moramos na mesma área, o nosso baterista está a morar a alguns quilómetros de nós. A situação do coronavírus foi uma desvantagem adicional. Não conseguimos ensaiar para o concerto online que demos no final de Maio e a última vez que nos encontrámos na nossa sala de ensaios foi em Dezembro de 2019, acho eu. Contudo, tento tocar guitarra em casa o mais que posso para gravar ideias para o próximo álbum.»

«Já escolhemos um livro que queremos musicar e há uma música quase finalizada.»

Daniel Droste sobre o próximo álbum de Ahab

Droste ainda não está em posição de revelar muito sobre isso, mas a mercadoria já começou a ser carregada no baleeiro e as velas brevemente estarão prontas para serem içadas. «Já escolhemos um livro que queremos musicar e há uma música quase finalizada. Ainda não reservámos um estúdio, mas estamos num ponto em que o fluxo de trabalho eficaz está a acontecer. Na verdade, nunca precisávamos dos três anos completos entre os nossos últimos discos para compor. Depois de um disco ser lançado, focamo-nos em tocar ao vivo. Durante esse tempo, não estou nada interessado em compor coisas novas. Acho que também é muito útil ter-se algum tempo para uma reorientação. Assim que encontramos nova literatura, que queremos musicar, e uma linha vermelha para a orientação musical, somos, na verdade, bastante rápidos em juntar as coisas… E, para mim, parece que já chegámos a esse ponto. A história que estamos a musicar acontece principalmente debaixo de água e o nosso estilo será completado com novos elementos que nunca usámos. Temos alguns elementos principais que definem o nosso estilo, mas tenho a certeza de que, desta vez, haverá cores adicionais no nosso som que não encontrarão nos nossos trabalhos anteriores.»

A criar doom metal marítimo desde 2004, temos a certeza de que a devoção que Daniel Droste tem pelo mar e os seus contos inerentes ainda estão ligados a si. «Se o mar como nosso tópico principal já não me inspirasse, acho que teria de parar de tocar em Ahab», atira. «Moro na parte sul da Alemanha e a costa fica a algumas centenas de quilómetros, podendo passar férias no mar. Explorar esse clima ainda é algo muito especial para mim. Não saio todos os anos da Alemanha para passar férias, temos muitas zonas bonitas onde nunca fui… Mas quando o faço, o oceano tem de fazer parte disso. Na verdade, nas minhas duas últimas viagens passei as minhas férias em solo português – na Madeira e nos Açores.»

“Live Prey” é um álbum ao vivo e tem data de lançamento a 26 de Junho de 2020 pela Napalm Records.

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