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AC/DC “Power Up”

“Power Up” é um belo longa-duração de rock e tornar-se-á num dos melhores da discografia dos AC/DC.

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Editora: Columbia Records
Data de lançamento: 13.11.2020
Género: rock n’ roll
Nota: 4.5/5

“Power Up” é um belo longa-duração de rock e tornar-se-á num dos melhores da discografia dos AC/DC.

O dia do lançamento de um novo álbum dos AC/DC é sempre um momento marcante e especial para qualquer fã de rock e de metal. A realidade é que os AC/DC tornaram-se num marco da música logo desde o ponto de partida da sua carreira, em 1973, então com uma formação diferente, para muitos a mais significativa devido ao simbolismo transportado pelo antigo vocalista do grupo Bon Scott.

Ao fim de quase cinco décadas, o grupo manteve sempre uma sonoridade característica e sonante, demarcada pelos gritos vocais de Brian Johnson, pela guitarra eléctrica e saltitante de Angus Young e pelos compassos temporais muito certeiros e efusivos de Malcolm Young, Phil Rudd e Cliff Williams. Claro que 50 anos é como diz o povo: “É muito ano”. Volveram quase cinco décadas com mudanças de formação, mas o som manteve-se. Nos últimos anos, muitas alterações decorreram com a saída de Brian Johnson, Cliff Williams e Phil Rudd. No entanto, o divórcio foi sol de pouca dura e o regresso dos três magníficos acabou por precipitar mais um óptimo lançamento de estúdio neste fatídico ano de 2020.

“Power Up” é o título do décimo sétimo trabalho dos australianos, com a formação de sempre, à excepção de Malcolm Young que faleceu em 2017, tendo sido substituído por Stevie Young. Segundo Angus, este disco serve como memorial a um dos mais importantes baixistas da história do rock. Nos anos após o lançamento de “Rock or Bust” de 2014, um bom trabalho mas que por vezes parece ficar aquém da qualidade habitual do grupo, nunca se imaginaria que esta seria a formação a trabalhar num novo álbum ou que sequer houvesse um novo lançamento. Mas depois da tempestade veio a bonança na forma de “Power Up”, um belo resultado musical repleto do simbolismo típico dos AC/DC, com um certo acrescento de suma importância devido à morte de Malcolm Young, aos problemas passados pela banda e à própria pandemia que veio dificultar os lançamentos no mundo da música.

Este novo longa-duração transparece tudo o que tem de bom no rock em geral e no rock dos AC/DC, sem deixar o que lhe é mais caro de fora. A verdade é que o grupo nunca quis inventar a pólvora ao longo dos anos, mantendo uma sobriedade no seu rock durante as décadas de existência dos australianos. Basta dizer que têm um dos melhores guitarristas de todos os tempos, bem como um dos mais originais e marcantes frontman da indústria do rock. Ser clássico AC/DC é mais do que suficiente para fazer boa música – ora, este “Power Up” poderá vir a tornar-se num dos melhores álbuns da banda e do ano.

“Power Up” é sinónimo de rock electrizante, com os temas “Realize”, “Shot in the Dark”, “Through the Mists of Time”, “Kick You When You’re Down” e “No Man’s Land” a tomarem a dianteira qualitativa do álbum que, nestas faixas, tem um pouco de “Back in Black”, “Who Made Who” e de “Black Ice”, com as típicas toadas cheias de ritmo que fazem saltar o público a compasso esfuziante e frenético, seja num concerto ou numa versão mais calma, a bater o pé, de auscultadores, a ouvir o disco no conforto caseiro. Sem desprimor pelas restantes faixas – antes pelo contrário, pois este lançamento consegue ser um dos trabalhos mais bem-conseguidos da banda australiana com todo o disco a ser obrigatório. Apesar de tudo isto, havia um certo medo para perceber a reacção da banda a tantos acontecimentos conturbados, mas nem se notou qualquer tipo de problemas. Basta dizer que o desempenho de cada um é incólume, desde os riffs ritmados e vivos de Angus Young à estabilidade de Rudd, à estreia de Stevie num álbum dos AC/DC até à base rítmica fornecida por Williams e aos picos vocais tão agradáveis de se ouvir vindos de alguém que esteve muito perto da reforma – falamos, claro, do lendário Brian Johnson.

O grupo australiano não inventa a pólvora, mas gosta de adicionar componentes e traços para distinguir os seus álbuns, com faixas mais pesadas e atempadas como “Demon Fire” e a mais lenta, mas igualmente roqueira, “Wild Reputation”. Sobretudo desde 2000, os australianos têm feito exactamente isso – de recordar “Black Ice”, um álbum bem distinto do clássico AC/DC. As 12 faixas nunca perdem energia e, já para o fim, os temas “Systems Down”, “Money Shot” e “Code Red” elevam a fasquia de electricidade, sendo temas que decerto irão fazer saltar os fãs da banda em futuros expectáveis concertos.

“Power Up” é o álbum certo no momento certo. Sim, é típico AC/DC; sim, preserva a sonoridade das lendas australianas; sim, os membros são os mesmos (à excepção de Stevie); sim, o grupo não pretende mudar a sonoridade. Tudo isto é verdade, mas também é verdade que a revolução do rock continua a ser feita por estas lendas e não parece findar. A maioria dos membros tem mais de 60 anos, pelo que poderiam estar confortáveis no sofá a usufruir da fortuna e a desfrutar dos tempos vividos, mas não, não foi isso que os grandes AC/DC fizeram. O quinteto decidiu pôr mãos à obra e tratar de produzir aquele que decerto será um dos melhores álbuns de 2020, com ou sem pandemia. Já começaram a marcar a digressão e, se não fosse pela COVID-19, já estariam a deleitar milhares e milhares de fãs pelo mundo inteiro. Eles pretendem continuar a liderar a revolução musical que iniciaram e não parece que terá fim nos próximos tempos. “Power Up” é um belo longa-duração de rock e que, facilmente, se tornará num dos melhores da discografia dos AC/DC.

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