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Abysmal Dawn “Phylogenesis”

“Phylogenesis” é o melhor trabalho dos Abysmal Dawn sem pensar duas vezes.

Editora: Season Of Mist
Data de lançamento: 17.04.2020
Género: death metal
Nota: 4/5

“Phylogenesis” é o melhor trabalho dos Abysmal Dawn sem pensar duas vezes.

Seis anos de silêncio entre “Obsolescence” e “Phylogenesis” quase nos fizeram esquecer Abysmal Dawn, um dos novos nomes da terceira vaga de death metal norte-americano. Formados em 2003, depressa começaram a fazer levantar sobreolhos devido às suas capacidades francamente acima de competentes, mas, em breve, tornaram-se em mais uma banda de death metal. Nada particularmente emocionante, portanto.

Tudo mudou quando ouvimos em primeira mão “Hedonistic”, o single de apresentação de “Phylogenesis”, que nos fez crer que as alterações da formação só fizeram bem ao quarteto de Los Angeles. É verdade que o trabalho de bateria de James Coppolino e o som claramente natural do seu conjunto assenta aos Abysmal Dawn que nem uma luva, mas são os solos de Vito Petroni que nos enchem o peito de satisfação, fazendo-nos lembrar insistentemente de alguns dos melhores trabalhos do falecido Ralph Santolla, o que por si só é dizer muito. Abordámos “Phylogenesis” de cabeça fresca e curiosidade, e isso pagou dividendos rapidamente.

Antes de mais, “Phylogenesis”é um trabalho extremamente furioso, poderíamos mesmo dizer revoltado, como se a banda nos dissesse: ‘Já nos davam a devida atenção!’ Só lhes faz bem. A primeira “Mundane Existence” é um retrato fiel do melhor death metal americano clássico, apadrinhado por nomes como Deicide, Hate Eternal, Vital Remains ou Monstrosity mais tardios. A segunda “The Path Of The Totalitarian” é apenas um exercício de masturbação de Coppolino e mais um projéctil de “Phylogenesis”, que retoma o bom caminho da primeira faixa sem cair no aborrecimento. O riffcontagiante egroovyde “Hedonistic” vem a seguir e mantém-nos encostados à parede a implorar por oxigénio, tal é a pressão que se sente ao longo do tema, sempre com as vozes demoníacasintroduzidas há três décadas pelos Deicide no death metal tradicional.

O disco começa a perder alguma força à medida que se desenrola – não confundamos as coisas: é death metal bom, competente, que nos faz abanar a cabeça (muito, aliás), mas, exceptuando os solos milagrosos de Petroni (“A Speck In The Fabric Of Eternity”, “Coerced Evolution”) ou a metralhadora humana de Coppolino, tudo poderia ser um pouco mais emocionante. Ainda assim, o trabalho de guitarra rítmica do fundador Charles Elliott consegue manter a nossa cabeça em constante actividade sísmica devido ao já referido groove, tudo culpa dele. Para o final fica uma versão de “Flattening Of Emotions”, clássico seminal dos Death (“Human”) e que é interpretado na perfeição, sendo talvez a melhor cover que já ouvimos dos mestres da Florida. É em alturas como estas que Coppolino volta a brilhar com facilidade e de forma muito orgânica.

“Phylogenesis” é o melhor trabalho dos Abysmal Dawn sem pensar duas vezes. Assim como avançámos inicialmente, o sangue novo na guelra dos Abysmal Dawn operou um pequeno milagre que revigorou e recuperou a banda de um futuro incerto, sendo, mesmo sem apresentar algo de inovador, um trabalho feito segundo as regras clássicas – conservador, mas com uns pozinhos de modernidade q.b. que em tudo ajudam.

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