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A Pale Horse Named Death: uma cavalgada pós-isolamento

Sal Abruscato sobre a renovação criativa que resultou em “Infernum In Terra”.

Foto: Mischa Linares

«Abrandei quanto a escrever todas as músicas sobre depressão maníaca, auto-aversão e pensamentos suicidas.»

Projecto doom metal do multi-instrumentista Sal Abruscato (ex-Type O Negative, ex-Life of Agony), A Pale Horse Named Death regressa aos álbuns mais depressa do que o esperado. Menos de dois anos depois do terceiro e profético álbum “When the World Becomes Undone”, o norte-americano tem em “Infernum In Terra” uma nova proposta que fora composta em isolamento durante 2020.

«Por volta de Janeiro de 2020 já tinha planeado gravar algumas ideias», recorda Sal. «Comecei a fazer uns esboços, parei durante um tempo, depois voltei e fiz mais esboços, mas a pandemia mudou tudo, portanto envolvi-me noutras coisas. Servem-me vários chapéus, sabes? [risos] Tenho vários projectos na vida, não apenas relacionados à música. Mas o Verão passou e não tinha pegado na música nova, mas por essa altura tinha cerca de 85 esboços. Depois veio o Outono e, de repente, o meu cérebro abriu-se, e entre Outubro e Dezembro comecei a gravar muito material.»

A espontaneidade, ainda que aparentemente tardia, de Sal resultou num álbum denso e melódico q.b., com subtilezas elegantes e profundidades negras, sem esquecermos influências descaradas que vão de Black Sabbath a Alice In Chains. «O álbum anterior foi feito um bocado à pressa com material que tinha guardado durante um tempo», revela. «Do que gosto neste [novo] álbum tem a ver com um artwork e cenário frescos, e todas as músicas foram compostas no ano passado. Inseri mais instrumentação em termos orquestrais e um piano, e coisas que apoiam as guitarras pesadas. Gosto de fazer álbuns o mais porreiros possível. Não me preocupo em ser capaz de fazer as coisas ao vivo, apenas faço o que soa correcto e bem.»

Liricamente, “Infernum In Terra” também representa uma certa evolução. Ainda que os versos das novas canções estejam encharcados em agitação e miséria emocional, a abordagem míope do disco anterior foi rejeitada, com Sal a alcançar uma perspectiva temática mais ampla para que tudo seja realmente mais fresco como desejava. «Abrandei quanto a escrever todas as músicas sobre depressão maníaca, auto-aversão e pensamentos suicidas», ri Sal. «Infelizmente, isso é-me natural, porque é uma maldição que tenho. Foi um pouco sem intenção, mas algumas das novas músicas saíram com uma temática bíblica, com histórias como a queda de Lúcifer. Uma das músicas é sobre a experiência de estar sob anestesia. Foi como estar noutro mundo – parece que dormi durante dias, mas foram só 20 minutos, sabes? Portanto, há novas ideias e algumas coisas sobre cenas pessoais e familiares. Não fiz cada música apenas sobre tormento pessoal.»

Um criativo nato, Sal Abruscato aproveitou assim esta oportunidade forçada para explorar a negritude de um mundo malvado, e, nestes tempos enegrecidos (mesmo que uma luzinha ao fundo do túnel já comece a ser vista), A Pale Horse Named Death cavalga rejuvenescido. «Estou feliz por lançar mais um disco neste momento da minha vida», conclui. «É refrescante e estou empolgado. São tempos vagos e espero que tudo melhore para toda a gente. Mas estou optimista. Espero que haja novos fãs a gostarem do “Infernum In Terra” e que os antigos também gostem. É uma progressão natural e há material mesmo muito porreiro. Estou muito orgulhoso deste disco e estou entusiasmado por ver como é que as pessoas o vão receber. Esta indústria é tão instável, nem sei o que vai acontecer. Apenas faço o que gosto!»

“Infernum In Terra” tem data de lançamento a 24 de Setembro de 2021 pela Long Branch Records / SPV.

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