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1349 “The Infernal Pathway”

Este é um trabalho com um intuito muito particular: o de inquietar ainda mais os inquietados, oferecendo-lhes alguma luz ao fundo do túnel quando surge uma ou outra malha melódica, justapondo assim caos e elegância num só plano sensorial. “The Infernal Pathway” é um álbum perigoso que deve se ouvido com respeito.

Editora: Season Of Mist
Data de lançamento: 18.10.2019
Género: black metal
Nota: 4/5

Com cerca de 20 anos de carreira, os 1349 podem não ser a banda de black metal que primeiramente salta à memória, mas a sua longevidade, álbuns como “Hellfire” (2003) e uma formação composta por nomes como Ravn (membro-fundador) e Frost (Satyricon) dá-lhes um estatuto de banda de culto que ninguém pode negar. Mais espaçados no que concerne a lançamento de discos do que numa fase inicial, os noruegueses regressam com “The Infernal Pathway”, dando assim um sucessor ao bem-recebido “Massive Cauldron of Chaos” que data de 2014.

“Abyssos Antithesis” surpreende logo as pessoas que vão iniciar a audição deste disco com uma entrada thrashy, e essa abordagem não se fica pelo início porque esta inclinação ao thrash metal continua a sentir-se ao longo desta faixa inaugural. Por seu lado, num acto de transformação, a segunda “Through Eyes of Stone” já evidencia em mais alta conta o conceito sonoro do black metal dos 1349, com especial destaque para o refrão muito próximo do épico à custa de uma guitarra lead melódica.

Seguindo em frente, a quarta “Enter Cold Void Dreaming” é um bom exemplo da técnica exercida pelos nórdicos através de uma composição que se baseia em riffs velozes que nos inspiram a pensar em espirais/tornados de maldade mental afecta à obscuridade inerente do black metal, e depois de mais um manifesto de teor técnico e agressivo em “Towers upon Towers”, com destaque para a bateria quase mecânica e para o riff à Immortal, a sétima “Deeper Still” marca-se por uma toada melancólica que não se sente à partida mas que existe, podendo, de facto, não se notar ao ouvido desarmado porque, mais uma vez, os 1349 prosseguem com uma orientação de ataque incessante, não dando assim muito espaço a melodias luzidias como muitas vezes se ouve na ala mais melodiosa do black metal em geral.

“Striding the Chasm” mostra a consistência actual do quarteto e gira à volta de três malhas que se unem entre si de forma cumpridora, sendo este um tema que, apesar de não ser o pináculo, demonstra que é possível fazer muito com pouco. Já as qualidades criativas de Frost voltam a dar ar de si em boa conta e medida em “Dødskamp”, faixa em que, mesmo havendo bons riffs (dos melhores no álbum até), é a bateria que se realça com drumming rolls eficientes e acompanhamento geral incisivo.

Depois de toda uma viagem deveras caótica na sua maioria, o grupo finaliza esta sua nova proposta discográfica com “Stand Tall in Fire”, um tema de oito minutos que cruza melodia, ritualismo e até algum teor progressivo na forma como se desenvolve até ao seu clímax, e clímax também do próprio disco.

Num apontamento final, seria muito fácil criticar negativamente um álbum como este devido ao caos que apresenta – um caos sonoro e psicológico –, mas, e defendendo as escolhas dos 1349, este trabalho tem um intuito muito particular: inquietar ainda mais os inquietados, oferecendo-lhes uma ínfima luz ao fundo do túnel quando surgem repentinas malhas melódicas, justapondo assim caos e elegância num só plano sensorial. “The Infernal Pathway” é um álbum perigoso que deve ser ouvido com respeito.

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