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10 álbuns proto-black metal essenciais

Mergulhamos de volta ao nascimento do black metal e aos discos que resistiram ao teste do tempo.

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Mergulhamos de volta ao nascimento do black metal e aos discos que resistiram ao teste do tempo.

O black metal explodiu com um efeito espectacular no início dos anos 90, com países como Noruega, Suécia, Finlândia e Grécia, todos a empunhar a tocha. No entanto, as raízes do género estão firmes nos anos 80, e, embora tenha sido um movimento mais esparso e menos definido naquela altura, ainda existem muitos álbuns clássicos que merecem a vossa atenção. Aqui estão os 10 dos melhores…

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Venom – Black Metal (Neat Records, 1982)
Há quem diga que os Venom apenas deram o nome ao género black metal, há quem argumente que esta é uma visão retrospectiva e apontam que as bandas e os fãs que entraram na cena antes da explosão da segunda vaga dos anos 90 viam o trio inteiramente como black metal. Fiquem do lado de quem quiserem, mas este álbum não é apenas caótico, inflamado e estimulante quanto se poderia desejar, é também o som do metal extremo a nascer.

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Hellhammer – Apocalyptic Raids (Noise Records, 1984)
Estritamente falando, “Apocalyptic Raids” é um EP – se estiverem à procura de um ‘álbum’ de Hellhammer, a opção mais próxima é a compilação “Demon Entrails”, de 2008. Mas seria um crime não incluir Hellhammer, porque, ao lado de Venom e Bathory, a banda basicamente deu origem à primeira vaga de black metal. A sua combinação entre passagens lentas e assustadoras e secções de rasganço rápido – bem como a qualidade estranhamente alien das vozes e riffs – torna isto um clássico lo-fi.

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Celtic Frost – To Mega Therion (Noise, 1985)
Os Celtic Frost surgiram directamente de Hellhammer, e os seus primeiros lançamentos eram uma abordagem um pouco mais progressista do som característico da banda. Com este longa-duração ridiculamente ambicioso, no entanto, a roupagem evoluiu claramente para uma besta completamente diferente. A combinação ousada e agressiva entre guitarras e bateria e uma atmosfera mais bombástica e dramática (incluindo o uso eficaz de tímpanos e trompa francesa) resulta num trabalho atemporal e grandioso.

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Sodom – Obsessed By Cruelty (Metal Blade, 1986)
Até certo ponto, os anos 80 foram sobre descobrir o black dentro do metal e, como muitas das entradas nesta lista, pode-se interpretar muito do início de Sodom como simplesmente thrash de som maligno. Chame-se o que se quiser, este álbum é um ataque de metal diabólico, violento e cativante, com muita bateria de alta velocidade e riffs de som maldoso. Os primeiros trabalhos de Kreator e Destruction são igualmente recomendados numa primeira vaga teutónica.

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KAT – Metal And Hell (Ambush Records, 1986)

Os KAT são uma lenda na sua terra natal, a Polónia, embora só tenham conseguido uma exposição limitada para além disso. É uma pena porque foram muito influentes para os praticantes polacos de black metal nos anos 90 e este álbum de estreia (também lançado com letras em polaco sob o título “666” no mesmo ano) é uma combinação muito agradável de Venom, Bathory, influências da NWOBHM e intenções blasfemas descaradas.

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Sepultura – Morbid Visions (Cogumelo Records, 1986)
Antes de evoluírem para um grupo de death/thrash/groove metal, os Sepultura estavam ocupados a criar um black metal primitivo da primeira vaga. Como a maioria dos seus contemporâneos, os brasileiros eram uma fera bastante crua em meados dos anos 80: produção básica, instrumentos desafinados, tempo questionável – encontra-se de tudo. Porém, o mais importante é que, aqui, a violência auditiva crua é totalmente satisfatória, contendo uma atmosfera infernal adequada e uma tonelada de riffs desagradáveis e memoráveis.

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Vulcano – Bloody Vengeance (Rock Brigade Records, 1986)
Tal como a cena black metal dos anos 90 foi um tanto dominada pela Noruega, os anos 80 viram o Brasil a tornar-se numa espécie de reduto do crescente fenómeno black metal. Assim como os seus pares em Sepultura e Sarcófago, a banda teve uma forte influência de grupos como Sodom, Hellhammer e Celtic Frost, ao mesmo tempo que injectava personalidade própria nos processos. “Bloody Vengeance” é um estrondo curto e agudo de metal possuído, exactamente como gostamos.

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Sarcófago – I.N.R.I. (Cogumelo Records, 1987)
Ok, um último clássico do Brasil. A capa com os protagonistas do grupo num cemitério com cintos de balas, espetos, cruzes invertidas e proto-corpsepaint inspirou uma geração. Mas é a combinação furiosa de Sodom, Hellhammer e Bathory que realmente bate, assim como a natureza aparentemente caótica do bombardeio malévolo a disfarçar algumas composições habilidosas e surpreendentemente detalhadas e dinâmicas – relativamente falando, claro.

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Bathory – Under The Sign Of The Black Mark (Under One Flag, 1987)
Bathory foi realmente a banda que pegou na ideia de Venom e a levou à sua conclusão lógica, cimentando o modelo de black metal escandinavo com vozes demoníacas, riffs gelados furiosos e percussão simples e implacável no processo. Então, porquê tão tardio nesta lista? Bem, o álbum de estreia homónimo, de ’84, e o álbum “The Return”, de ’85, são certamente obras mais seminais, mas este terceiro é, sem dúvida, o ponto alto musical, e a enormemente influente utilização de repetição fria, intensa e hipnótica permanece extremamente eficaz.

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Tormentor – Anno Domini (self release, 1989)
Tormentor foi uma banda húngara de vida curta que construiu uma base de fãs leais (e violentos) no seu país, mas nunca conseguiu fazer uma digressão no exterior. Esta cassete de 40 minutos, lançada independentemente, no entanto, faria o seu caminho através de tape traders pela Europa Ocidental nos anos após a separação da banda, conquistando muitos fãs, incluindo Mayhem da Noruega, que acabaram por conseguir o vocalista Attila Csihar. Muito à frente do seu tempo, oferece uma abordagem mais controlada e matizada da primeira vaga, bem como um hino épico na forma da sua música mais famosa, “Elizabeth Bathory” (posteriormente reinterpretada por Dissection).

Consultar artigo original em inglês.

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